mar
2012
Eu li e comento: E os hipopótamos foram cozidos em seus tanques
Alôu alôu, você que está buscando uma leitura light, curta e, ainda assim, cheia do glamour de ler Jack Kerouac. Pronto, está no caminho certo. E os hipopótamos foram cozidos em seus tanques baseia-se em um fato real, um crime passional que ocorreu em 1944. Burroughs e Kerouac assumem os papéis do barman Will Deninson e do marinheiro desempregado Mike Ryko, respectivamente. Os dois personagens narram, cada um com o seu olhar, o trágico episódio do assassinato de David Kammerer por Lucien Carr, no livro, com o pseudônimo de Phillip. O adolescente, na época com 18 anos, queria juntar-se à Marinha para viajar pelo mundo, mas contava com a constante participação de David em todos os acontecimentos de sua vida. Depois de Lucien ter se dado bem na vida – tornou-se “o cara sóbrio” do beat e trabalhou em um jornal dos EUA por mais de 40 anos – David foi retratado como um stalker pelos jornalistas. No livro, David é um homossexual de 40 e poucos anos que sofria de amor platônico por Phillip (Lucien), era amigo de Deninson e passava tardes tentando descobrir como conquistar o coração do amado. Phillip era completamente inconsequente e, por isso mesmo (e por seu impulso para tentar evitar que o “stalker” se tornasse marinheiro e o seguisse por todos os mares), acabou enfiando um canivete em David, em uma briga no Riverside Park.
Mas isso não é o principal da história, nem se preocupe. O mais interessante é perceber que a narrativa de “E os hipopótamos” não tem nada a ver com a literatura cabeção do
‘beat generation’, até porque Kerouak escreveu esse livro com 23 anos e, ao vê-lo recusado por uma editora, abandonou a possibilidade de publicá-lo. Inclusive, o próprio Lucien, ao ver a associação da obra com o fato que o levou para a cadeia por dois anos, pediu para os autores que só publicassem o livro depois de sua morte. E assim aconteceu. Lucien morreu em 2005, aos 79 anos. Em 2009, finalmente pudemos conhecer “E os hipopótamos…”, escrito em 1945.
Acho o livro ideal para quem escreve, porque prova o quanto uma linguagem pode amadurecer e o quanto um bom trabalho nunca é datado. Kerouac e Burroughs, em um texto fluido e muito bem escrito (até mesmo para iniciantes que os dois eram, numa época pré “On the road”), trazem uma obra divertida e ideal para entender o começo da geração beat e a própria juventude beat. Recomendo!

