Colorlilas

Muito café e nanquim. Não necessariamente nessa ordem.

maio 2012 archive

Trilha sonora pra chuva

Eu sei, eu sei, dia de chuva a gente ainda trabalha, tem que enfrentar agonia de engarrafamento, alagamento e tudo mais. Mas quando a gente está em casa…aí sim, a coisa fica linda. E musical. Uma breve top 5 de músicas pra dias  de chuva:

 

1- Singing in the rain – Gene Kelly

2- Moon River – Audrey Hepburn

3- Je Ne Veux Pas Travailler – Pink Martini

4- Soul Le Ciel de Paris - Edit Piaf

 

E pra quem se sente pervertido em dias de chuva:

5 – Leopard-Skin Pill-box Head – Bob Dylan

Afinal né, a soma cama+dia friozinho+Bob Dylan = sacanagis.

 

Boa chuva e bom fim de semana prôceis!

 

Dica de leitura: Wilson

Ontem devorei aqui o novo quadrinho do Daniel Clowes (autor de Ghost World). Se o mais famoso (pelo menos no Brasil) quadrinho do Clowes ganhou até filme (em 2001) e retratava a passagem de duas adolescentes para a vida adulta, Wilson (lançado no Brasil pela Companhia das Letras) trata da solidão e de outros entraves de quem está envelhecendo e se dá conta de que poderia ter feito mais, ter sido mais. Basicamente o drama de toda a raça humana, hehehehe.

A história (pelo menos para mim), é ainda mais legal que GW. Começou a partir de quadrinhos que Clowes escrevia para tentar relaxar, durante o período que o pai estava hospitalizado. Wilson é um homem de meia-idade que tenta recuperar relações com aqueles que foi abandonando ao longo da vida, porque depois da morte do pai é tomado por um insuportável medo de morrer sozinho. O problema é que ele é anti-social e tem dificuldades em controlar a sinceridade (o que torna tudo extremamente divertido). Ao mesmo tempo que tira sarro com a cara das pessoas ao redor, Wilson reflete sobre o que fez e o que faz da vida. É claro que são muitas as vezes em que é possível uma identificação entre você e o personagem. Ao mesmo tempo que, em alguns momentos, a gente sente raiva de Wilson, se apaixona por ele e por sua verborragia.

A HQ não tem uma narrativa comum. É formada por pequenas histórias – bem ao estilo de Clowes – que juntas contam um pouco da vida de Wilson sem que, para isso, seja necessário entrar em detalhes. É como se cada página fosse um episódio de meia hora do show de Wilson; e o passar das páginas fosse um hiato temporal. Outra característica muito legal da hq é a variação de traços e do esquema de colorização, a depender da história.

Quem está afim de uma HQ impossível de se parar de ler antes do final (porque hoje tem uns trecos mega conceituais que podem até ser bons, mas são um parto pra terminar de ler) ou quer referências para colorização e para estudo de traço pode contar com Wilson. E quem, como eu, foi fisgado pela primeira página da HQ, sabe do que eu estou falando: estão faltando mais quadrinistas como o Daniel Clowes – menos conceituais, mais críticos e bem humorados…mesmo que seja para contar uma história recheada de solidão.

 

Página 1 de Wilson (em inglês):

WILSON

 

Autor: Daniel Clowes. Tradução: Érico Assis
Editora: Companhia das Letras (80 págs., R$ 39)