mai
2013
Atenção pra novidade!
Meninas e meninos de Salvador, Bahia!
Muito café e nanquim. Não necessariamente nessa ordem.
Meninas e meninos de Salvador, Bahia!
Fiz esse quadrinho em homenagem aos idiotas que estão sempre comentando que deveria existir dia do orgulho hétero. Caras, se vocês ficam medindo o pinto uns dos outros, não julguem o resto da humanidade. Grata.
Pode parecer um título clichê, mas, no caso, trata-se das movimentações independentes de arte. Ultimamente, tenho visto (e muitas vezes, de dentro) coletivos liderados por uma pessoa só, que é quem aparece, quem decide, quem dá as entrevistas e, muitas vezes, quem ganha com os eventos.
Isso, caros, não deveria ser um coletivo. Não sei que tipo de conceito os artistas de minha geração tem de coletivo, mas certamente não é um grupo onde um manda e os outros obedecem. E o pior é que os outros integrantes dos coletivos nem mesmo percebem que estão integrando, na verdade, uma pequena empresa como qualquer outra, com hierarquia, cargos maiores e menores, maiores benefícios pra uns, menores pra outros.
Outro dia eu estava conversando com um artista que estava pensando em criar seu próprio evento, mas precisava de contatos e, por isso, ia acabar apelando para um produtor conhecido. O problema é que esses produtores conhecidos, chefes dos coletivos (onde só eles atualizam o site do coletivo ou decidem quem entra ou quem sai, por exemplo), são os únicos a realmente viver da arte. Em especial, porque o que fazem é ser donos de uma empresa, com funcionários sem direitos e, muitas vezes, sem nenhum ganho real.
Quanto a mim, sei que não pretendo integrar nenhum coletivo, e não sei se pretenderei novamente. Gostaria muito de participar de feiras, eventos onde as pessoas montam suas exibições e vendem seus quadros e, como há uns anos atrás, aqui em Salvador, de um modo integrado, mas independentes. Cada marca, cada artista por si, mas montando um evento conjunto. Acho que corremos menos riscos desse modo, pelo menos nos dias de hoje, quando temos que lidar com artistas centralizadores disfarçados de democratas. Todo mundo, claro, desejando ” viver de arte”; e o resto dos artistas que se exploda.
Eu sempre fui do tipo de criatura que buscava otimismo em tudo, pensava sempre o melhor de todo mundo.
“Pô, ele não deve ter feito isso”. “Ah, eu tenho certeza que ele vai melhorar”. “Que nada, a cidade não é tão ruim assim”.
Eu continuo assim, mas acho que impus um limite à minha ingenuidade. De uns tempos pra cá, inclusive, comecei a achar que o país está ficando meio doido, e que todos os xiitas que viviam reclamando escondidos sobre “os pobres que estão viajando pra Europa” (ou escreviam em parcas colunas na Folha de São Paulo, tipo a Danuza) de repente levantaram de seus confortáveis acentos e começaram a gritar pela janela, para os transeuntes.
Rachel Sheheurirueirurazade (ou sei lá como se escreve o nome dela), Marco Feliciano, Danuza Leão e outras figuras assim me deixaram até com saudade de quando o único cretino de quem a gente tinha raiva era o Diogo Mainardi. Me digam: quando foi que a vida ficou tão chata? Quando foi que a tevê aberta começou a dar espaço pra uma imbecil como a Sheherazade? Ou que o Tadeu Schimidt, com aquela cara de pastel que só o Fantástico sabe produzir, decidiu dar sermão porque uns torcedores revoltados tacaram as Caxixi-rolas em jogadores (em jogadores mesmo?).
E a chatice não vem de um lado só. Eu era assinante da Carta Capital até pouco tempo, e desisti da revista quando recebi uma edição cuja CAPA era uma matéria intitulada “O vazio da cultura”. Em resumo, a matéria presunçosa dizia que as pessoas não ouviam mais música de qualidade ou acompanhavam a “arte de qualidade”. Aham. E eles nem mesmo postaram críticas à matéria na sessão carta ao leitor da semana seguinte, ficaram lá, um monte de leitores almofadinha babando ovos de Mino Carta. É só mais uma Veja, só que do centro (porque esquerda mesmo aquilo ali não é).
Eu nem vou comentar da “cura gay” de Feliciano, porque aquilo é tão absurdo que não merece nem Ibope. A minha única pergunta pra esse (e outros) caso é: gente, qual é a dessas pessoas? Por que diabos se incomodam tanto com gay? Que coisa chata, desnecessária, coisa de gente que não tem nada pra fazer, que tem um monte de miolos a menos. Aff
Pra fechar o índice negativo de otimismo que reduziu bastante a minha ingenuidade, eu conto a greve na Caros Amigos. Porra, aquela revista era um modelo de bons textos, de boas ideias pra mim. Quando descobri que as pessoas eram mal pagas, exploradas, e que o diretor geral da revista ainda chamou a greve de “Traição de confiança” e demitiu todo mundo que estava nela foi a gota d’água que faltava para que eu revisse essa tal ingenuidade que me condena. As relações humanas estão cada vez mais complicadas; em geral, porque as pessoas querem ter mais, ganhar mais, ir mais longe.
Esquecendo que uma hora o longe se torna lugar nenhum.