A difícil arte de ver o futuro

by coloradmin on 18 de março de 2014, no comments

Se eu tivesse uma trilha sonora como nos filmes, ela certamente seria “Under Pressure”. haha

Esse ano estou trabalhando pelo que vejo como sendo meu futuro. Porque o mais engraçado é que, quando estou desenhando, eu consigo ficar absurdamente feliz e minha cabeça repete, como um mantra esquisito, “É isso!, É isso!”. Daí minha cabeça também segue traçando uma linha onde diz “Primeiro você lança isso, depois faz isso, daí vai fazer aquilo”. É como se ela só destrancasse quando o assunto é ilustrar, desenhar. O que sinto mais falta da viagem que fiz é justamente o fato de que eu estava vivendo inteiramente para desenhar, ilustrar, fotografar, e acho que nunca me senti tão feliz na vida. Quando tento me imaginar fazendo outra coisa, eu não consigo ir muito adiante, tudo fica cheio de nuvens de novo.

Sentar diante de uma mesa de desenho ainda é um dos meus maiores prazeres na vida, é como se eu tivesse ganhado um bônus por ser boazinha. rs. Posso ficar quatro, cinco, seis horas ali, reparando nos detalhes, apagando e redesenhando até achar que está bom o suficiente para passar pra próxima fase. É uma sensação de absurdo contentamento, que eu certamente desejo pra todo mundo.

Por isso, todo suor do mundo para fazer o que amo é válido. Todo o trabalho por isso, todos os emails não respondidos e os problemas enfrentados diariamente. E por mais que mil emails voltem, que continuem dizendo não, eu vou continuar fazendo. E se o Catarse der certo, mudará minha vida. E se não der certo, eu já estou mudando minha vida também, e o livro continuará sendo feito. É só uma questão de não desistir. Nunca.

Ilustrações carnavalescas

by coloradmin on 24 de fevereiro de 2014, no comments

E aí gentes?

Como passaram o fim de semana?

Sábado fui ao meu querido Espaço Xisto para, a pedido de Isabela Silveira – Coordenadora do Espaço, ilustrar as paredes com um bailinho de carnaval. O “Encontros de Domingo”, que acontece todo último domingo do mês lá no Xisto, seria um baile de fantasias nessa edição, e Bela queria uma ilustra que as crianças pudessem pintar.

Então enchi as paredes de confetes, desenhei bonequinhos que precisavam de uma fantasia, desenhei super-herói, serpentina, taanta coisa… e eles pintaram tudinho! ♥

Dá uma olhada nas fotos!

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Embolou

by coloradmin on 19 de fevereiro de 2014, no comments

Fazer faxina também é fazer quadrinho. haha

(às vezes, inclusive, fazer faxina é parar de fazer faxina para fazer quadrinho porque teve a ideia naquela hora)

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Sinto te dizer, mas a Beionça não é feminista

by coloradmin on 13 de fevereiro de 2014, no comments

Bem, eu fiquei pensando se escrevia ou não esse texto aqui. Mas, como compradora do álbum, admiradora da Beyoncé, e mulher, me senti em dívida comigo mesma. Então precisei escrever. Antes de mais nada, vou dizer para você que, contra minha própria racionalidade, adoro o novo cd da Bey. Adoro de ouvir todo dia. Então você já sabe que isso não é um atentado contra a cantora, é uma constatação.

Vamos lá: quando o CD foi lançado, muita gente ficou emocionada com o discurso da Chimamanda na música Flawless. Pronto, saíram chamando Beyoncé de feminista. Primeiro que eu nem sei mais como funciona isso, talvez a mais certa seja a Chimamanda mesmo (que diz que feminista é aquela mulher – ou o homem – que luta pelos direitos das mulheres e deseja uma sociedade mais justa para elas). Ok, até aí dá pra considerar a B uma feminista. Não pelo CD. Acredito que o novo cd da B seja uma confusão de alguém que ainda está tentando entender o que é. Muito justo. Mas algumas coisas ali são bizarras. Veja só:

Na mesma letra em que fala Chimamanda, Bey manda as outras garotas (“vadias”) se curvarem a ela. Poxa, amigas divas ricas, parem de chamar umas as outras de vadias nas músicas, fazfavor.

Daí ok, isso é pequeno Aline, deixa de perseguição.

Aí vem “Drunk in love”, que todo mundo já sabe. Cara, eu nem consigo mais ouvir essa música. Quem já passou por algum tipo de violência PRECISA saber que é extremamente ofensivo o que a B e Jay-Z cantam (enquanto sorriem). Representar o pesadelo de violência contra uma mulher – Tina Turner – numa música que fala de trepar na cozinha não me diz nada de bom sobre o relacionamento da cantora com o gangster  Jay-Z.

E pra quem achou bonitinho eles cantando o verso juntos:

Mas não acaba aí. Beyoncé dá uma sequência de músicas onde mostra um misto de tentativa de independência no relacionamento e submissão ao marido. Um exemplo é o refrão de Partition, que repete “Take all of me, I just wanna be the girl you like…”. No clipe, ela dança enquanto ele fuma um charuto. Bem, pode ser só um fetiche, mas todo o CD tem cara disso: de que B está tentando ser a garota que o marido quer. Tudo tem que ter a bunda da B, tem que ter a B dizendo que vai esfregar a bunda na cara dele, que ninguém conhece uma bunda como essa, que a bunda dela é isso, é aquilo. Tá, B, tua bunda é linda, mas tá bom de bunda né?

Será que é isso o que vamos ouvir, sempre, pelos próximos anos? Nicky Minaj de biquine esfregando a bunda na tela, B dizendo que a bunda dela é a melhor, Lady Gaga pelada em boa parte dos seus clipes, Miley pelada, e pelada, e pelada…Não sei mais o que pensar disso, afinal, temos toda uma teoria de que a mulher está, finalmente, mostrando o corpo quando está afim. Mas veja só – em boa parte dos vídeos B está mostrando o corpo pro marido, dançando pro marido, cantando que vai ficar de joelhos pro Jay-Z, que cozinhou nua para ele e ele não apareceu e isso e aquilo.

Estamos mostrando o corpo quando queremos ou mostramos o corpo dentro de uma cultura sexista onde mulher inteligente e bem sucedida precisa ser gostosa? Precisa, além disso MOSTRAR O CORPO e confirmar que é gostosa? Ficar nua, over and over again. A quem ela está divertindo quando faz isso? Essa é uma pergunta para qual ainda não tenho resposta. O que sei é que ali, se você parar e ouvir o CD todo, o que parece é que Beyoncé está tentando ser alguém que o Jay-Z quer – a best friend de gangsters que passa seis minutos (Rocket) pedindo pra ele castigar ela e não tirar as mãos de sua bunda (mais uma vez).

Então, há grandes chances da B ser uma feminista de loja de CD. Que busca atrair o público de mulheres que se assemelham à independência financeira e profissional dela. B mesma disse, numa entrevista, que passou a carreira dando aos fãs o que eles queriam, e que esse CD é uma tentativa de fazer música do jeito que ela quer.

Uma última coisa – putaqueopariu, Beyoncé, para de chamar o Jay-Z de Daddy. Quando as mulheres chamam o marido/namorado de “papai” me dá vontade de morrer. Que mistura da porra é essa?

Alô você em São Paulo!

by coloradmin on 10 de fevereiro de 2014, no comments

Agora no início de março vai rolar um evento massa em São Paulo. A Feira Plana, realizada pelo site Idea Fixa, reúne muita gente boa e publicações independentes, zines…coisa boa mesmo! Vai acontecer nos dias 8 e 9 de março e as meninas do Zine XXX, do qual fiz parte, estarão lá com zines das mulhé, incluindo o dessa que vos fala. Mandei o Abacaxi com Nuvem, uma revistinha de quadrinhos quase non-sense pra lá, e custa menos que um hamburguer: R$4. Quatro dilmas, gente, e me deu um trabalhão pra fazer tá? Sou uma alma boa. ha

Dá uma olhada nos danados:

Eu só estarei presente na pessoa dos meus zines (haha), mas espero que o povo se divirta pacas! A banca das meninas é a Femzines. A Feira Plana acontece no MIS – Museu da Imagem e do Som, em SP. Vá lá!

As durezas de 2013 e as promessas de 2014 – novos quadrinhos

by coloradmin on 29 de janeiro de 2014, no comments

Acho que não deve ser novidade para ninguém: esse não foi um ano fácil.

Não é que, pelo menos pra mim, tenha sido um ano ruim. Mas ele não foi fácil, desses que passa a mão por sua cabeça e diz que vai ficar tudo bem. Foi, sem dúvida, um ano pra olhar o espelho e procurar o que está certo e o que está errado na vida. Porque aqueles que não fizeram isso certamente tiveram os erros e os problemas esfregados em suas caras.

Eu tive.

Esse também foi um ano de piruetas financeiras, do tira dinheiro aqui pra pagar a conta acolá. Mas foi o ano de minha primeira exposição solo, o que por si só já vale praticamente 2013 inteiro. A exposição, sem dúvida, me obrigou a melhorar meu traço, a ser mais profissional, a ser mais detalhista, a estudar aquarela, nanquim…não queria fazer feio principalmente para as crianças que visitariam a exposição. O resultado disso tudo é que fiquei bem mais segura do que faço e, em outra consequência, meus projetos acabaram ficando mais fortes.

No final do ano, desenhei para duas revistas. Uma foi a Picles, numa edição especial de mulheres, e outra foi o Zine XXX, que reuniu quadrinistas sensacionais em diveeersas edições que ainda vão rodar (e que estou ansiosa pra ver). Esse ano, trabalharei especialmente em três projetos, que já estavam iniciados no ano passado, mas que esse ano receberão atenção total:

- O quadrinho (livro) sobre minha viagem de mochila para a Europa, chamado 38 dias;

- O livro ilustrado para colorir da exposição “De dentro da História”;

- A revista Nostálgica, com HQs sobre minha infância com meus amigos.

Para colocar todo o processo e as atualizações de cada um dos projetos, fiz um espaço no colorlilas só pra os quadrinhos que vou publicar: quadrada.colorlilas.com. Não deixem de acompanhar por lá. Vai rolar muito extra também. Aqui os quadrinhos e os textos continuarão, lá a coisa vai ser mais específica para esses três projetos. O LilaLila eu acabei, sabe como é. A gente vai tentando as coisas, pra ver o que funciona pra gente. O LilaLila foi uma experiência bem legal, mas acho que fofura é uma coisa temporária em minha vida. rs

Desenhos que farão parte do capítulo extra. Esse foi desenhado em Paris. :)

Desenhos que farão parte do capítulo extra. Esse foi desenhado em Paris. :)

A viagem acabou, mas o quadrinho tá só começando! ;D

Não é que eu não goste dos lugares onde moro

by coloradmin on 5 de dezembro de 2013, no comments

É que trocar de lugar, arrumar malas, me preparar pra viagem, montar uma nova vida é sempre muito bom.

Enquanto o dia de viajar não chega, eu passo os dias esperando pelo aeroporto.

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É como se minha vida estivesse no “carregando…”.

Tubby, Lulu, mimi, lala, titi…sobre dois aplicativos e as relações humanas

by coloradmin on 4 de dezembro de 2013, no comments

Fiquei sabendo do Lulu dia desses, mas nem assim me instiguei a ir ver. Essa coisa de dar nota a homem dá pra fazer com as amigas numa saída comum mesmo. Mas o que me intrigou de verdade foi a reação dos caras. “Nossa, que mágoa, que horror, que absurdo, que ultraje!” – sério, me senti de volta à adolescência. Sabe aquele momento em que você percebe que uma pessoa pode passar a vida toda apontando defeitos e problemas seus mas, no dia em que você fizer isso de volta, ela começa a chorar instantaneamente?

Foi isso o que vi. Um lamento sem fim nas redes sociais. E por uma coisa que os caras fazem diariamente. É só olhar o tal Tubby, um negócio destinado para homens com pintos pequenos que assistem muito filme pornô. É, porque classificar uma mulher por “engole tudo” certamente é de uma elegância e se compara a coisas como #barbaporfazer e #sorrisoépico, hashtags que vi nas matérias sobre o Lulu. E cara, mesmo que uma mulher não atribua a você uma notinha por ser bom de cama, ou algo relativo ao tema no Lulu, entenda: se você tiver pinto pequeno, for uma piada na cama e não souber conversar as amigas da garota, e as amigas das amigas da garota, enfim, uma infinidade de garotas com certeza saberá disso sem a ajuda do aplicativo. E dizer que uma mulher #engoletudo no Tubby também não vai fazer de você um cara mais atraente.

O engraçado é como as relações humanas estão ficando estranhas por causa das redes sociais e aplicativos. As pessoas estão ficando íntimas demais, se expondo demais, falando demais. E ninguém conhece limites, o que faz com que, mesmo sem Tubby ou Lulu, certamente você passe a maior parte do tempo se sentindo invadido. Todo mundo íntimo demais dá nessas coisas: pessoas dando notas umas as outras e gente ganhando dinheiro com isso.

Quando eu queimava o filme de meus ex-namorados, e provavelmente queimavam meu filme, o negócio funcionava sem gerar lucros pra ninguém. Talvez o detalhe seja que, numa época em que as pessoas passam a maior parte do tempo fazendo selfies e falando sobre si mesmas, aplicativos que dão notas às performances “namorísticas” de meninos e meninas são só mais uma forma de exposição.

Porque né? O cara que tomou nota alta não deve estar reclamando. Quem inventou o Tubby provavelmente tomou um 0,5.

Por uma vida com menos.

by coloradmin on 29 de novembro de 2013, no comments

Acordo às sete da manhã, ou pelo menos tento. Levanto e tomo um café rápido, quando não deixo pra tomar café no trabalho. Ao chegar no trabalho, normalmente às oito e meia, começo a maratona de tentar conciliar meu trabalho fixo com as trezentas zilhões de demandas e de gente pedindo trezentas coisas diferentes e precisando de tudo para “hoje de manhã”. Odeio de verdade o facebook, mas sou obrigada pelos novos modelos de comunicação a estar presente lá, a entrar em contato com as pessoas por lá, a fazer as entrevistas, apresentar meu trabalho, divulgar coisas, existir lá.

Aí passam-se as horas e tenho que voltar pra casa, onde tenho mais um trilhão de atribuições. E nem contei nessas atribuições fazer o meu próprio almoço, porque tento, mas não tenho energia suficiente para tanto.

Será que ninguém percebe que estamos atolados de trabalhos, de contas, de responsabilidades e atribuições? É realmente normal viver com água até o pescoço? Sempre muito próximos do afogamento?

Quando era criança sonhava ser tanta coisa….hoje sonho ter menos dívidas, fazer menos contas, ter mais tempo livre, curtir um bom silêncio enquanto leio um livro e, principalmente, aprender a ser anônima, porque não há nada mais desgastante do que viver se auto-promovendo (coisa que todo freela tem que fazer). Até porque, atualmente, acho que a auto-promoção está meio amalucada. Quanto mais você se promove, mais trabalho de graça pra fazer você tem, e com menos dinheiro você fica. Talvez porque todo mundo esteja se auto-promovendo ao mesmo tempo, e para o mesmo nicho, então..

Todo mundo se auto-promovendo é igual a ninguém se auto-promovendo.

 

Arte

by coloradmin on 25 de novembro de 2013, no comments

arte

 

Na verdade é uma representação da complexidade da dualidade entre o bem e o mal.